Os Clubbers dos anos 90 não eram apenas jovens que frequentavam festas. Sim, gostávamos de festas, mas tinham muitos mais coisas envolvidas e vou te explicar tudo neste post.
Meu nome é Marcelo e eu vivi esse boom do Movimento Clubber aqui em São Paulo, então muitas informações que você irá ler por aqui, tem pesquisas e claro a minha participação.
Os Clubbers eram parte de uma subcultura única que abraçava o diferente, o fora do comum.
Imagine estar em meio a um turbilhão de luzes e sons, sentindo uma conexão instantânea com quem está ao seu redor, mas, ao mesmo tempo, buscando algo mais profundo: uma forma de expressão, pertencimento e liberdade.
Vou te contar uma coisa, foi essa sensação indescritível de luzes e sons que me fizeram me apaixonar pelas baladas dos anos 90, foi amor à primeira vista pra mim.
Muitos desses jovens (inclusive eu) estavam à procura de um escape para as coisas que carregavam no dia a dia – a pressão social, o preconceito, a falta de aceitação.
E ao mesmo tempo, havia um desejo intenso de experimentar uma liberdade física e emocional, de se libertar das amarras da sociedade e viver intensamente cada momento nas pistas de dança.
Mas quem eram, afinal, esses clubbers? E por que eles marcaram uma geração?
O que significa o termo “Clubber”?

O termo clubber surgiu para definir aquelas pessoas que frequentavam assiduamente clubes noturnos e raves, principalmente nos anos 80 e 90.
Ser um clubber não era apenas sair para dançar. Era um estilo de vida, uma identidade.
Para muitos, isso envolvia a música eletrônica como pano de fundo (techno, drum´n´bass, jungle, house, etc), mas também uma ideologia de liberdade, inclusão e não conformidade.
O clubber abraçava o visual excêntrico, as roupas coloridas (A Mando do Rei, Será o Benedito, Abrigo Nuclear, A Mulher do Padre, Escola de Divinos), acessórios extravagantes, os piercings e, acima de tudo, uma postura de celebração da individualidade.
Como surgiu o termo Clubber fora do Brasil?
A cultura clubber teve suas raízes fora do Brasil, principalmente em países como Inglaterra e Alemanha, onde o cenário de clubes noturnos explodiu no final dos anos 80.
O advento da música eletrônica, especialmente do techno e house, deu início a um movimento que combinava música, moda e comportamento social.
Esses jovens, os clubbers, eram vistos como rebeldes que buscavam uma nova forma de socialização, diferente dos espaços tradicionais.
A ideia de escapar das normas sociais, unida ao espírito de celebração coletiva, fez com que os clubes noturnos se tornassem refúgios para aqueles que se sentiam marginalizados ou desajustados.
A chegada dos Clubbers no Brasil
No Brasil, o movimento clubber chegou com força nos anos 90, especialmente nas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
A juventude brasileira abraçou o movimento, adaptando-o à nossa realidade cultural. Além da música eletrônica, que já começava a dominar as festas, os clubbers dos anos 90 no Brasil adicionaram um toque tropical e criativo ao movimento.
Festas em locais inusitados, como galpões abandonados e praias, se tornaram comuns. O estilo clubber aqui foi adotado como uma forma de expressão contra as normas sociais e, muitas vezes, como um grito de liberdade em um período pós-ditadura.
Qual a ideologia por trás dos Clubbers?
A ideologia clubber sempre esteve ligada à ideia de liberdade. Liberdade de expressão, de identidade e de pertencimento.
Para muitos, ser um clubber significava fugir das pressões do mundo exterior e encontrar um espaço onde poderiam ser eles mesmos, sem julgamentos. Eu era assim também, trabalhava durante a semana e no final de semana me jogava nos roles e podia curtir tudo de uma forma diferente com as pessoas que também queriam buscar essa liberdade.
Além disso, o clubber pregava a inclusão, diversidade e a quebra de barreiras.
Em um clube, não importava quem você era ou de onde vinha. A pista de dança era um lugar onde todos eram bem-vindos, independente de classe social, cor ou orientação sexual.
Vou citar alguns dos clubes mais movimentados da noite paulistana:
- Sound Factory
- Espaço Nation
- Hell´s Club
- Toco
- Over Night
- A Loca
- The Warriors
- E muitos outros espalhados pela cidade.
Esse espírito de união e aceitação é uma das principais razões pelas quais o movimento clubber deixou um legado tão forte.
A Moda e o Estilo dos Clubbers
A moda clubber era tão importante quanto a música. Então ambos andavam sempre alinhados.
Estilos excêntricos, roupas futuristas, cores neon e acessórios que muitas vezes remetiam a uma estética cyberpunk eram marcas registradas.
A ideia era chamar atenção, quebrar padrões estéticos e, ao mesmo tempo, expressar uma identidade única.
O visual clubber era uma mistura de influências da música eletrônica, com toques de futurismo e, muitas vezes, de humor e ironia.
Esse visual permitia que os clubbers dos anos 90 criassem uma persona, uma versão deles mesmos que pudesse se destacar em meio à multidão, ou seja, o clubber tinha sua marca registrada.
A Importância da Música para os Clubbers
A música eletrônica foi, sem dúvida, o coração da cultura clubber.
Gêneros como house, techno, underground e drum’n’bass dominavam as festas.
Os DJs eram os maestros dessas noites intermináveis, e o papel deles era criar uma atmosfera que transcendesse o comum.
Para muitos clubbers dos anos 90, a música eletrônica era mais do que apenas um som. Era uma experiência sensorial, algo que permitia uma conexão profunda com o ambiente e com as pessoas ao redor.
Vou te contar minha experiência em relação à música nas baladas.
Cada música era única e tinha suas peculiaridades, e quando uma música tocava a alma junto com aquelas luzes piscantes, era só fechar os olhos, dançar como se ninguém estivesse te olhando e se conectar com outra dimensão.
É difícil explicar em palavras, afinal é um sentimento, mas sim, todos os clubber tinham esta mesma vibe nos anos 90.
O Legado dos Clubbers dos Anos 90
Embora o movimento clubber tenha perdido força ao longo dos anos (para mim tudo terminou quando fechou a Over Night em 2001), seu legado ainda é sentido na música eletrônica, na moda e na cultura de festas.
Muitos dos valores pregados pelos clubbers dos anos 90 – como a aceitação, a inclusão e a celebração da diversidade – continuam presentes em muitos dos movimentos culturais de hoje.
O visual excêntrico e a busca por uma forma de expressão única também podem ser vistos em várias subculturas contemporâneas.
Conclusão
Os clubbers dos anos 90 foram muito mais do que jovens que iam a festas. Eles criaram uma subcultura baseada na liberdade, inclusão e celebração da individualidade.
Embora o movimento tenha perdido força, sua influência ainda é sentida na música, na moda e na cultura contemporânea nos dias de hoje.
FAQ – Perguntas Frequentes
Clubber eram os jovens que frequentavam clubes noturnos e festas de música eletrônica, especialmente nos anos 90, e adotava esse estilo de vida como parte de sua identidade.
A cultura clubber surgiu principalmente na Europa, em países como Inglaterra e Alemanha, nos anos 80, e se espalhou pelo mundo nos anos seguintes, chegando com força ao Brasil nos anos 90.
A música eletrônica era o coração da cultura clubber. Gêneros como house e techno eram o pano de fundo das festas e raves frequentadas pelos clubbers.
O movimento clubber foi importante por promover valores de inclusão, diversidade e liberdade de expressão, além de influenciar a moda e a música da época.
Embora o movimento clubber tenha perdido força, sua influência ainda é visível em várias subculturas e na música eletrônica atual, porém não com a mesma magia dos anos 90.
Algumas Referências
Almeida, João. (2020). A Cultura Clubber e Suas Influências na Música Eletrônica. São Paulo: Editora Cultura Pop.
Silva, Maria. (2021). Clubbers e a Revolução Cultural dos Anos 90. Rio de Janeiro: Editora Digital Trends.
Souza, Pedro. (2019). Da Pista à Passarela: A Moda Clubber e Seus Impactos. Curitiba: Moda e Estilo Press.
Oliveira, Luiza. (2022). Clubbers no Brasil: Um Olhar Sociológico. Belo Horizonte: Editora Acadêmica.
Santos, Ricardo. (2023). A Ideologia Clubber: Liberdade e Expressão. Florianópolis: Estudos Culturais Editorial.